A alimentação inadequada leva, a longo prazo, ao esgotamento dos estoques dos micronutrientes e à falência dos mecanismos de adaptação do organismo. Como conseqüência, essa má nutrição acarreta em indivíduos na fase de crescimento o retardo do desenvolvimento, redução na atividade física, baixa resistência a infecções, aumento da morbidade, considerando o fato de as doenças serem mais frequentes, severas e prolongadas em indivíduos malnutridos, ou seja, as doenças infecciosas e a dieta inadequada atuam sinergicamente, uma agravando os efeitos da outra para produzir o complexo má nutrição e infecção.
A obesidade infantil tem sido relacionada não somente com o volume da ingestão alimentar, mas também com a composição e a qualidade da dieta. Além disso, os padrões alimentares também mudaram, explicando em parte o contínuo aumento da adiposidade nas crianças, tais como a diminuição do consumo de frutas, hortaliças e leite, o aumento no consumo de guloseimas (bolachas recheadas, salgadinhos, doces e refrigerantes), bem como a omissão do café da manhã.
Diante do aumento da incidência de obesidade, torna-se urgente estudar estratégias que permitam seu controle. As práticas alimentares são destacadas como determinantes diretos dessa doença e a educação nutricional tem sido abordada como tática a ser seguida para que a população tenha uma alimentação mais saudável e, dessa forma, um peso adequado.
Os programas de educação nutricional sempre se valem da transmissão de informações aos educandos com o fim de obter mudança de conhecimentos. Realmente, a aquisição de uma informação é o ponto inicial do processo de mudança do comportamento.
Assim, a educação nutricional tem o desafio de criar estratégias educativas que não se restrinjam à transmissão de informações, mas possibilitem, inclusive, a criação de novos sentidos para o ato de comer por meio da mobilização de aspectos que alcancem as várias dimensões do comportamento alimentar.
Baseado em: Triches MR, Giuliani, ERJ. Obesidade, práticas alimentares e conhecimentos de nutrição em escolares. Rev. Saúde Publica, São Paulo, 39(4): 541-7, 2005.
Mônica Miliorini – CRN3- 5985