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Ideia é conhecer outras culturas por meio da literatura

Correio Escola - 29/09/2011

Letícia Mokarzel, de 13 anos: compreensão e simpatia pela autora
(Foto: César Rodrigues/AAN)

Alcançar a interdisciplinaridade por meio da leitura das obras literárias, aproximando o autor do aluno-leitor. Esta é uma das linhas de trabalho desenvolvida pelo Colégio Rio Branco em relação à leitura. Atualmente, os alunos do Ensino Fundamental estão lendo “Sabor de Maboque”, da escritora Dulce Braga — que adotou Campinas para viver. Nascida em Angola, a autora fugiu para o Brasil a menos de dois meses do dia da independência do país, no dia 11 de novembro de 1975, e relata, em um tom de diário, as doçuras e as dificuldades de sua terra natal, principalmente no período da guerra civil.

“Conseguimos, com esta atividade, realizar a união entre as disciplinas de geografia e de língua portuguesa, o que instigou e aumentou a absorção das informações, especialmente com as questões geopolíticas da região e da África”, comemora a professora de geografia, Mônica Simões de Almeida Botelho Silva. A interdisciplinaridade é uma das metas em todos os projetos do colégio, segundo a explicação do coordenador pedagógico do Ensino Fundamental II, Edgard Bohn.

“A questão da interdisciplinaridade é importante para que o estudante consiga perceber que o conhecimento não é compartimentado e também não está restrito aos muros escolares. E mais, o projeto pedagógico pretende mostrar que o conhecimento não está separado de sua vida cotidiana”, avalia Bohn. Na leitura desta obra, a professora de língua portuguesa Rose Mary Pimentel destacou que a aproximação da autora — que trabalha e mora em Campinas — com os estudantes instigou ainda mais à leitura de seu relato.

“Essa aproximação reforça o conceito de que o autor não é uma entidade longe da vida do estudante. Inclusive, depois que a autora esteve no colégio para uma palestra, muitos alunos fizeram a releitura da sua obra”, comentou Rose Mary. Para a aluna do 8° ano do Ensino Fundamental, Laura Modesto de Oliveira, de 13 anos, conhecer a cultura da África, por meio da descrição da autora, foi um dos destaques mais importantes para ela. “Isso me fez aprender a respeitar os diferentes costumes de outros lugares”.

Para a amiga Letícia Mokarzel, de 13 anos, a autora conseguiu expor totalmente os seus sentimentos nas páginas do livro. “O relato da escritora é tão atraente que é como se eu fosse a própria personagem. Unir a história real do país e da própria autora com os seus sentimentos foi um exercício interessante. Gostei também de conhecer uma cultura diferente da minha”, destacou.

A equipe pedagógica do Rio Branco defende que o gosto pela leitura se inicia na infância. Um dos trabalhos desenvolvidos para a faixa etária é a “Hora do Conto”, que ocorre mensalmente na biblioteca do colégio e é destinada às séries iniciais. A contação das histórias engloba atividades lúdicas como estratégias de socialização e aprendizagem, com o propósito de resgatar o momento de ouvir histórias, despertar o gosto e interesse pela leitura e oportunizar aos alunos momentos para expor suas ideias, suas preferências e seus valores. As histórias são cuidadosamente escolhidas, com o intuito de estimular a imaginação e o prazer pela leitura, além de fazê-los refletir sobre as questões apontadas como críticas.

Outro projeto desenvolvido por meio de leituras diárias pelas professoras de obras literárias é o “Era uma Vez”. Nele, a cada semestre é escolhida uma obra. “A criança vai junto com o professor fazendo as primeiras descobertas, inclusive do prazer pela leitura”, conta a coordenadora do Infantil, Claudia Veríssimo Moleiro. Ela acredita que a leitura é uma maneira de trabalhar a escrita e a leitura de forma contextualizada. “Tudo com as crianças é trabalhado com obras literárias pois facilita o entendimento, aguça a curiosidade e ainda trabalha sentimentos como medo, inveja, carinho, dentre outros”.

Na contínua busca do ensino por meio da leitura, no 4° ano é desenvolvido o projeto Monteiro Lobato. Os textos do escritor brasileiro fazem o leitor pensar com mais capacidade de raciocínio e com senso crítico em cidadania. Assume muita importância a palavra liberdade de ação, ou seja, fazer para aprender. No 2° ano tem também o projeto com o livro “O Monstro que adorava ler”. “Um convite para trabalharmos, de maneira contextualizada, a escrita e a leitura como fonte de prazer e também de muitas descobertas”, afirma a coordenadora do Ensino Fundamental I, Yasmin Barbosa Miranda.
 

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