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Musicista ensina alunos do 3º ano sobre diferenças

No primeiro semestre de 2016, os alunos do 3º ano do Ensino Fundamental do Rio Branco trabalharam o projeto literário “Lin e o Outro Lado do Bambuzal”, de Lúcia Hiratsuka, que conta a história de uma garotinha com deficiência visual que adora tocar flauta. Quando soube desse projeto, a professora de música do colégio, Lilian Gazoni, logo se reuniu com as colegas e comentou sobre uma ex-aluna de piano, também deficiente visual, que iniciou seus conhecimentos musicais aos 7 anos com a professora, e hoje é doutora em Música pela Unicamp. Logo, surgiu a ideia de convidá-la para um bate-papo com os alunos, abordando sua experiência com a leitura e escrita em braille, além de contar um pouco sobre sua trajetória acadêmica na música.

Fabiana Bonilha toca piano e flauta desde a infância, e considera maravilhoso o trabalho de iniciação musical que teve com Lilian, no qual aprendeu muito da teoria que ainda usa até hoje. “Lembro que, desde minha primeira aula, percebi que a música seria essencial no meu projeto de vida, não seria só um hobby. Fiquei fascinada com a possibilidade de ler as partituras em braille e transformá-las em som. A pessoa cega pode aprender música de outras maneiras, porém, acredito que ela também pode ler e escrever partituras como as outras pessoas”, conta Fabiana. Antes de aprender o braille em som, ela inciou o processo de alfabetização em braille aos 3 anos no Pró-Visão, em Campinas, concomitantemente com os estudos em escola regular até o Ensino Médio. A paixão pela música persistiu, e com isso, veio a vontade de seguir a formação na carreira, com graduação e doutorado na Unicamp em ensino de música para pessoas com deficiência visual por meio da leitura e escrita em braille

O contato com Fabiana surgiu por mais um acaso do destino. “A mãe dela foi minha professora de português na escola, e um certo dia ela me abordou, pedindo para que eu ensinasse música para sua filha. Os primeiros materiais que trabalhamos juntas eram tradicionais, por isso furávamos as partituras com agulha de bordado para que ela pudesse lê-las em braille”, relembra Lilian. Após várias pesquisas, Lilian foi a São Paulo, onde hoje funciona a Fundação Dorina Nowill, para trazer algumas partituras de piano transcritas em braille. Na época, era a única instituição que contava com esse material em seu acervo. “Também descobri que havia uma biblioteca de música no Vaticano. Viajei para lá e fiquei uma semana no instituto, que é um centro muito completo de música, inclusive para portadores de deficiência, e voltei com vários materiais para aprimorar as aulas da Fa”, diz a professora do Rio Branco.

Após concluir o doutorado, Fabiana Bonilha ingressou no Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer (CTI) em Campinas, e hoje é servidora concursada na área de tecnologia assistiva para pessoas com deficiência e mobilidade reduzida, além de ser chefe da divisão de relações institucionais da organização, responsável pela parte de eventos e comunicação do Centro. Sua pesquisa trata sobre as tecnologias voltadas para o uso do sistema braille, assunto que também foi abordado na sua palestra para o 3º ano. Os alunos do colégio ficaram encantados com a conversa com Fabiana e as músicas que ela tocou na ocasião, e em retribuição, eles executaram “A Minha Canção”, dos Saltimbancos com arranjo de Chico Buarque de Hollanda, e “Musette”, de Johann Sebastian Bach, que foi ensaiada por eles durante a homenagem à Semana da Língua Alemã.

A musicista encerrou sua participação na palestra com uma mensagem importante e muito particular, que ela espera que seja absorvida pelas crianças. “O convívio com as diferenças, que estão mais a nossa volta do que imaginamos, é enriquecedor. Não existem duas pessoas completamente iguais, todos somos diferentes uns dos outros, cada um com sua própria história e características. Pesquisei um pouco sobre o livro que eles leram, e vi que ele fala sobre a cultura oriental e deficiência visual, trazendo uma visão mais ampla sobre a diversidade, e é importante que as crianças vivenciem essas realidades o quanto antes para que eles possam se conhecer e ter a perspectiva da inclusão. Todas as pessoas, independente das suas características, podem conviver juntas, estudar, trabalhar, se relacionar”, explica Fabiana.

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