Em 2024, nosso Colégio adotou oficialmente a Praça Euzébio Berlinck, assumindo o compromisso de cuidar e preservar um espaço que já fazia parte da rotina da comunidade escolar RB. E foi isso que fizemos: além de toda a limpeza do local, foi construído um calçamento no entorno da praça para que todos possam caminhar com mais segurança em meio ao verde das centenas de árvores plantadas por nossos alunos ao longo dos anos.
Os cuidados com a praça despertaram a curiosidade dos nossos alunos sobre “quem foi Euzébio Berlinck?”. Foi a partir desse questionamento que descobrimos que essa praça carrega memórias, lutas e a dedicação de um homem cuja vida foi marcada pelo compromisso com a justiça social.
Euzébio Mattoso Berlinck era pai de três ex-alunos do nosso Colégio. Conversamos com a filha dele, Angela Mattoso Berlinck, nossa ex-aluna, que hoje mora no Canadá, e ela nos contou que seu pai foi contador por boa parte da sua vida. No entanto, movido por um ideal maior de transformação social, decidiu cursar Direito após os 50 anos, tornando-se advogado já próximo da aposentadoria. “Ele dizia que ajudava muito mais as pessoas sendo advogado do que sendo político”, relembra Angela, emocionada.
Com forte atuação junto a movimentos sociais, Dr. Euzébio ajudou a fundar sindicatos e foi peça fundamental na regularização de assentamentos urbanos na região de Campinas. Seu trabalho permitiu que inúmeras famílias conquistassem o direito à moradia digna, com ações jurídicas e articulação política que levavam infraestrutura e cidadania a comunidades antes invisíveis.
Contudo, a história da praça vai além do nome. O espaço era, no passado, apenas um terreno baldio. A transformação começou quando a esposa de Euzébio, bióloga de formação e membro atuante da mantenedora SIL na época, conseguiu as primeiras mudas de árvores para o local. O plantio, realizado em um simbólico Dia da Árvore, envolveu familiares, alunos e moradores da região, em um esforço coletivo que uniu educação, meio ambiente e memória.
Durante os últimos anos de vida do Dr. Euzébio, já debilitado pela saúde, a praça tornou-se parte da sua rotina de reabilitação. Três vezes ao dia, sua filha o levava para caminhar entre as árvores que ajudaram a plantar. “Aquele espaço era mais do que um lugar bonito, era parte do nosso cuidado, da nossa história”, lembra Angela.
O reconhecimento oficial veio por meio da Câmara Municipal de Campinas, que aprovou a nomeação da praça em sua homenagem. A comunidade comemorou: o local, antes sem identificação, passou a carregar um nome com sentido, história e exemplo.
Hoje, a praça é um espaço vivo. Os estudantes passam por ali, aprendem sobre a importância da preservação ambiental, da justiça e da solidariedade. “Meu pai era um homem simples, mas com um coração enorme. Ver seu nome ali, cercado de árvores e crianças, é como vê-lo continuar cuidando da comunidade que tanto amava”, conclui Angela.





